Notícia

Polícia - 18/01/2011 - Gaúcho é o que mais mata mulher


Rio Grande do Sul lidera o ranking de vítimas femininas. A média é de 13,7% do total de homicídios.

O assassinato de uma jovem de 18 anos, ontem, em Guaíba, foi mais um de uma longa lista nos últimos anos. Porto Alegre, por exemplo, registrou um acréscimo de 7,6% no número de vítimas nos primeiros 11 meses de 2010, em relação ao mesmo período de 2009 – uma morte a cada oito dias.zola.jpg

Mas o que mais impressiona é a diferença dos números do Rio Grande do Sul em relação ao resto do país. Enquanto a média nacional (por Estado) é de cerca 8% de vítimas do sexo feminino do total de homicídios, o índice gaúcho é de 13,7%.

É o que apontam dados da Polícia Civil.

– O gaúcho não admite perder a mulher. Prefere matar a ver a companheira com outro – avalia o titular da Delegacia de Homicídios, delegado Bolívar Llantada.

- Álcool e drogas como motivo

Titular da Delegacia da Mulher (DM) da Capital, a delegada Tatiana Bastos acredita que um dos principais fatores para o aumento está relacionado ao tráfico:

– A CPI do Narcotráfico, no Congresso, apontou que o Rio Grande é o Estado onde mais se consomem drogas. Muitas dessas mortes estão associadas a essa realidade.

- Um alerta sobre o verão

Em 2009, a DM registrou 12.099 ocorrências, a maioria por violência doméstica.

Para Tatiana, 80% dos agressores têm histórico de álcool ou de droga:

– As agressões sempre aumentam no verão, até porque nesse período há mais horas de lazer e de consumo de bebidas e entorpecentes.

- Meio a meio

Pesquisa feita em 2010 pela Delegacia de Homicídios mostra que praticamente metade das mortes de mulheres na Capital está ligada ao tráfico. A outra parte é vítima de um outro mal: violência doméstica.

Até agosto, a delegacia havia identificado a causa de 17 dos 28 casos registrados. Oito foram vítimas do companheiro, e nove, de traficantes.

- Jovem assassinada a tiros em Guaíba

A polícia suspeita que brigas do tráfico tenham provocado o assassinato de Tainá Cristina Xavier, 18 anos, morta a tiros na manhã de ontem, na Cohab Santa Rita, em Guaíba.

O companheiro dela, de 21 anos, também foi baleado numa das coxas e na barriga, mas, socorrido no Hospital Regional, permanecia em estado regular.

- Vítima não tinha antecedentes

Os dois foram atacados na rua, por volta das 5h, próximos da casa na qual viviam. Segundo testemunhas, pelo menos dois atiradores teriam saído de uma plantação de eucaliptos nos fundos da vila. Em vez de fugirem em direção à saída da Cohab, o casal correu para as casas da Travessa das Acácias, em direção ao matagal.

Tainá ainda se refugiou em uma das residências, mas foi baleada diversas vezes. De acordo com os investigadores, ela não tinha antecedentes. Mas o companheiro tem passagem por furto, arrombamento e roubos. O casal teria uma dívida de drogas. A polícia já teria suspeitos.

41,5 mil mortes em dez anos

No Brasil, a média é de 4,2 mortas para cada grupo de 100 mil habitantes. Em parte da Europa, o índice é de uma morta a cada 200 mil pessoas. Em pelo menos 50 cidades brasileiras (nenhuma gaúcha), o índice supera o de dez assassinadas por grupo de 100 mil. Os dados são do estudo Mapa da Violência no Brasil 2010, feito pelo Instituto Sangari e com base no banco de dados do Sus.

De acordo com o estudo, entre 1998 e 2007 41.532 mulheres foram mortas no país – os dados não levam em conta acidentes e afogamentos.

Os números

Estado
- 2009 – 194
- 2010 – 192
- Redução: 1%
Obs.: dados até outubro

Capital
- 2009 – 39
- 2010 – 42
- Aumento: 7,6%
Obs.: dados até novembro

Fonte: Polícia Civil

Perfil dos agressores


- 87% têm entre 18 e 40 anos.
- 65% assumem ser dependentes químicos (55% de crack).
- 68% não passou do ensino fundamental.
- 31% recebem três salários mínimos ou mais (R$ 1.620)
Obs.: dados coletados em 2008
Fonte: Delegacia da Mulher


Renato Gava | DIÁRIO GAÚCHO

Postado: Clécio Marcos Bender Ruver
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